15/3/2013

Feicorte: Seca acima da média pode afetar pastagens de MT neste ano

O gestor regional de agronegócio do Banco Original, Celso Affonso Filho, alertou pecuaristas participantes da etapa de Cuiabá (MT) do Circuito Feicorte NFT, no Centro de Eventos Pantanal, que o estado de Mato Grosso, segundo previsões do Climatempo, poderá ser afetado por uma seca acima da média neste ano. "Tivemos um quadro muito diferenciado de clima no ano passado, com chuvas no período de entressafra acima da média, mas, para este ano, o indicativo é de um clima muito seco de março a maio pelo menos, o que aumenta o risco de um quadro de degradação das pastagens", informa.

Segundo Celso, o Banco Original procura orientar pecuaristas sobre as melhores estratégias nas diversas práticas, de cria, recria e engorda, e frisa que, nos últimos 50 anos, nenhuma vez o clima se comportou da mesma forma de um ano para outro. "Muitos pecuaristas procuram estabelecer uma estratégia de produção baseado no clima do ano anterior, o que é bastante arriscado, diante da diversidade existente", alerta.

O palestrante destacou os impactos do clima nos diferentes processos produtivos e nas pastagens. "O clima pode influenciar uma maior ou menor taxa de natalidade na cria, gerar um maior ou menor peso do animal no desmame, ocasionando um maior ou menor custo aos produtores", sinaliza.

Na recria e engorda, por exemplo, Celso ressalta que o clima seco proporciona um menor ganho de peso diário em caso de poucas chuvas nas áreas de pastagens, impossibilita que o animal atinja o peso ideal para o abate ou ainda a perda de peso em um período que o ganho de peso na engorda é fundamental.

O representante do Banco Original salienta que um verão chuvoso e quente pode ser considerado o clima ideal para as pastagens, possibilitando uma maior produção de forrageiras, um alto ganho de peso dos animais, a maior oferta de animais terminados aos frigoríficos, além de um preço mais atrativo ao invernista. "Já um verão quente é seco apenas traz como vantagem um preço maior pela arroba, embora haja a dificuldade para o pecuarista conseguir ter um animal no peso adequado para a entrega", explica.

No caso de um inverno quente e chuvoso, as forrageiras adquirem um aspecto médio, o ganho de peso é intermediário, há uma maior oferta de animais mas o preço não é o melhor. "No caso de um inverno seco e quente, por outro lado, o número de forrageiras disponível cai muito, há pouco ganho de peso dos animais, a oferta de animais terminados é menor e o preço da arroba é maior, muito embora o confinador necessite controlar muito bem os custos para não ficar no prejuízo", destaca Celso.

O palestrante entende que o pecuarista pode empreender algumas técnicas para amenizar os efeitos de uma possível seca neste ano, como estabelecer uma reserva de pastagem de pelo menos 25%, fazer uma suplementação de baixo consumo no período de falta de chuva para complementá-lo com capim, além de escolher a melhor estratégia produtiva, que pode estar entre o confinamento, o semi-confinamento (com integração entre lavoura e pecuária), o confinamento de parceria, entre outros. "Não existe uma receita mágica para evitar a influência do clima na pecuária, mas, adotando uma estratégia adequada, o pecuarista pode evitar seus efeitos diretos sobre o negócio", conclui.

Fonte: Portal Safras e Mercado
Jornalista: Arno Baasch